quinta-feira, 7 de abril de 2011

O espelho

Por Laíra Carolina Arvelos

O Espelho reflete e eu reflito? Uma imagem no espelho; quem é? Que desespero! Vejo minha incapacidade de ser verdadeiro; camuflagem.

O meu sorriso a muito deixou de ser real, há! Se ele expressase a verdade que sinto refletiria as lágrimas engasgadas, lembrança do que se foi, saudade...

Ser é tão difícil sustentar o ser mais ainda é, nas vielas do meu rosto o que vejo é o oposto de tudo que sou de tudo que fui; antítese.

Meu retrato minha alma, o que vejo? A tristeza de sonhos perdidos, a inconstância de uma vida sem êxitos sem planos, perdas?

O espelho reflete minha vontade de mudar o mundo de ser melhor, mas também as frustrações de uma batalha que se chama vida, que não procurei travar, mas me impuseram; tensão.

Ao olhar o espelho ele me olha, sorri se entristece, faz careta se enraivece, o espelho é um artista e está cantando um espetáculo novo, uma canção que jamais se ousou tocar; loucura.

Olho, e o que vejo me invade, um amor que em mim está impregnado por heróis que se foram e não me conheceram, pelas pessoas que estão ao meu lado, o espelho reflete minha vontade de pra sempre tê-los; eternidade.

Corram! O espelho ficou louco, movimentos indesejados, corpo parado, choro, gritos e cantos. De repente nada mais é poético, olho o espelho e ele volta apenas refletir; uma imagem, um rosto, uma pessoa; realidade.

E quando me percebo ali parado diante de mim mesmo, sinto vergonha de não me conhecer, nos apresentamos, podemos viver bons momentos juntos; reflexão.

Metamorfose Literária


Metamorfose Literária

Por Laíra Carolina Arvelos


Nunca esquecerei aquele dia em que consegui ler meu primeiro livro, quando cada letra se juntava em sílaba, em palavra e em realidade. Leitora precoce, mas apaixonada por ter ganhado uma companhia eterna, dócil e inefável; a literatura.
Desde a infância a leitura não foi pra mim só um hábito e sim um ritual onde olhos e livros se preenchiam, ler nunca foi uma obrigação e sim um vicio, no qual o livro falava e minha alma incendiada respondia.
O livro que me marcou quando criança foi “Ou isto ou aquilo”, de Cecília Meireles. Nunca me cansei de ler e reler seus versos, me imaginava ora bailarina ora Arabela na janela, aquele livro foi sempre tão mágico, tão sublime e as poesias de Cecília tão intensas que sempre me identifiquei com seus textos nostálgicos e melancólicos.
Os contos dos irmãos Grimm, as fábulas infantis, o Sítio do Picapau Amarelo, os 12 trabalhos de Hércules. Quantas histórias, quanta imaginação, lembrando destes livros não posso negar que tive uma infância intensa; fugindo do lobo mau, comendo maçãs envenenadas, perdendo meu sapatinho de cristal. Porém, o meu fascínio era mesmo pelas aventuras de Visconde de Sabugosa com toda a sua inteligência e por morar entre os livros.
O tempo passou e logo veio a insatisfação, não que tenha me cansado de ler, mas eu queria mais, queria ler livros maiores, aprender coisas novas, descobrir, desvendar, criar novo enredo, achar um sentido, me encontrar, construir minha personalidade.
Foi então que descobri os livros da coleção vaga-lume, foi amor a primeira vista. Se não li todos faltou pouco pra chegar lá; o quanto eu chorei, o quanto eu torci, o quanto eu ri e vibrei com estas histórias.
Da adolescência até agora não posso definir um gênero que li, pois em matéria de leitura sou bem eclética, em épocas mais espirituais li a bíblia, em outras mais rebeldes, Paulo Coelho, Dan Brown e Augusto dos Anjos, quando sofria lia Augusto Cury, em épocas políticas Carlos Drummond de Andrade, em épocas apaixonadas Vinícius de Moraes e Cruz e Souza, quando não tinha o que ler, lia bulas de remédios ou livros repetidos. Aliás, cada releitura é uma nova experiência.
Ultimamente tenho lido mais livros didáticos, no momento estou lendo um livro sobre Redação Científica e outro da coleção de Freud. Espero conseguir ler muito nessa minha fase acadêmica, para que eu me torne uma cidadã crítica, que não aceita as coisas predeterminadas, assim como fala Paulo Francis “Quem não lê não pensa e quem não pensa será pra sempre um servo”.

O futuro Social do Brasil


O futuro social do Brasil


Por Laíra Carolina Arvelos

Muito se fala sobre o Brasil. O Brasil território, o Brasil mão-de-obra, o Brasil econômico, o Brasil do futuro, são inúmeras suas facetas. Em suma, se faz necessária ordem entre estes pensamentos e, principalmente, que se forme uma identidade que não se detenha ao senso comum nem ao famoso “jeitinho brasileiro” para se alcançar o progresso.
Num futuro próximo seremos bombardeados com mudanças gerais. A conjuntura estatística nos revela uma população diferente, seremos um país mais “velho”, com jovens mais competitivos e crianças bem instruídas. As mulheres serão maioria, trabalharão mais. Será que serão respeitadas? Para o individuo o futuro social reserva transformações de hábitos: quebra de preconceito e reformulação de valores, seja no aspecto religioso ou em atitudes ambientais.
Economicamente seremos mais ricos, mas essa riqueza produzida não pode se transformar em ameaça ou injustiça. Necessitamos de uma organização que preze a saúde, a educação, a não violência e, principalmente, arranque o Brasil do mercado colonizado, exportador e o lance nos braços do crescimento sustentável e auto-suficiente.
Crescer é um estado de adaptação, política consciente, otimismo e boas ações. Que o futuro do Brasil nos torne produtivos e administradores da nossa produção, que o futuro nos reserve riqueza e não mediocridade. O homem brasileiro é seu maior inimigo e aliado e está em suas mãos sanar as feridas coletivas, descongelar a pátria amada e trabalhar em prol de sua liberdade.
O futuro brasileiro é essencialmente simpatia e fama e a sua organização futura é opcional: um carnaval? uma novela legal? desmoralidade social? rombo nacional? ou um bom final...

terça-feira, 5 de abril de 2011

Há Salvação?


Há salvação ?

RESENHA
GADOTTI, Moacir. Pedagogia da Terra e Cultura de Sustentabilidade. in: Revista Lusófona de Educação, n°16, 2005, p. 15-29.
Por Laíra Carolina Arvelos

Moacir Gadotti é professor titular da Universidade de São Paulo (USP), Diretor-geral do Instituto Paulo Freire, São Paulo. Licenciado em Pedagogia e Filosofia, mestre em Filosofia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Doutor em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra (Suíça) e livre docente pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Possui várias publicações voltadas para a área de educação entre elas: Educação e poder. (Cortez, 1988), Paulo Freire: Uma bibliografia (Cortez, 1996), Pedagogia da Terra (Petrópolis, 2000) e Educar para um Outro Mundo Possível (Publisher Brasil, 2007).
O artigo "Pedagogia da Terra e Cultura de Sustentabilidade" está organizado em 5 partes e um prefácio, escritos em uma linguagem formal e com uma profunda análise histórica, filosófica, sociológica e cultural das modificações do mundo e da humanidade, argumenta com veemência a necessidade de transformações nas relações com a natureza, bem como mostra os problemas acarretados pela rotina do uso exacerbado dos recursos e apresenta os fatos encontrando uma contribuição no que diz respeito à conscientização mais humana da sociedade quanto à sustentabilidade.
No prefácio do texto, Gadotti procura apresentar uma visão global de todos os assuntos que seram abordados posteriormente, criando para o leitor um início de reflexão, que acontece passo a passo. Essa reflexão inicial basicamente se constitui de um alerta, no qual mostra que é preciso uma quebra de estruturas e uma evolução do pensamento, da educação, globalização, sustentabilidade e cidadania.
Neste primeiro contato o autor é conciso: devemos mudar nossa posição diante do mundo. A nossa Era tão tecnológica e globalizada, traz junto a si uma nódoa que é a destruição e o consumismo. O nosso posicionamento deve acontecer antes que se chegue ao ponto de não ter nada o que fazer.

Na primeira parte do artigo o autor lança um debate a respeito da Pedagogia da Terra, ou seja, os meios mais eficientes para o sucesso da luta ecológica. Discorre sobre o conceito de desenvolvimento sustentável e humano, mostrando que estes conceitos muito das vezes são reducionistas, triviais, e vagos.

Elucida que a aplicação deles deve alcançar o equilíbrio: os nossos gastos não podem comprometer as gerações futuras. De um modo geral, a conceituação de desenvolvimento sustentável é alcançada, mas ao mesmo tempo é repetitiva, o autor usa deste recurso linguístico para reforçar a verdade dos fatos.
Em dois momentos são levantadas questões importantes. A primeira quando diz que as questões sociais não podem ser tratadas separadamente das questões ambientais. A segunda quando mostra a contradição entre os princípios de sustentabilidade e capitalismo. Nestas questões o autor obteve êxito.

Quando levanta a necessidade da conciliação entre as questões sociais e ambientais, ressalta o fator mais importante: o ser humano; é este que tem nas mãos o poder de modificar a natureza e a sociedade.

Quando fala em incompatibilidade entre sustentabilidade e capitalismo, reflete sobre os males deste sistema que só se preocupa com os ganhos imediatos.
Indica a possibilidade de se encontrar uma luz no fim do túnel, mostrando que aos poucos a sociedade sustentável cresce, a sua marcha está guiada não aos fracassos da Agenda 21, mas as experiências concretas demonstradas apartir da segunda Conferência de Assentamento Humano Habitat, organizada pela ONU em Istambul, em 1997.
Com Convicção afirma a existência da chance de se vencer na luta contra "nossos desafios globais." Essa visão positiva do autor, nos remete a esperança, e este sentimento unificado aos propósitos certos leva cada indivíduo a acreditar na existência de uma sociedade sustentável.

Na segunda parte do texto, o autor enfatiza a importância da educação e da percepção do mundo, para isso recorre a uma alusão as sensações pela quais as pessoas passam desde a infância.Essa comparação feita é objetiva, mas sucinta, pois não há nada mais poderoso que faz o ser humano refletir do que ver sua realidade escrita ali diante de seus olhos.

Respalda os papéis da educação sustentável e ecológica, da necessidade de se criar a Pedagogia da Terra, ou Ecopedagogia, de não apenas se pensar nos fatos e sim na observação, buscando novos caminhos.

Coloca em evidência um ato inerente ao homem, mas que deve ser instigado e incesante: o de buscar respostas.

Se não existir uma sociedade sustentável a Terra deixa de ser nosso lar e passa a ser só mais um espaço; o valor da educação reside no fato de que nos ensina a fazer escolhas e se certas estas escolhas desvendam um futuro promissor.
Afirma a importância do amor que se deve ter em relação à Terra e que este relacionamento deve ser movido pela ação, pela interação entre os indivíduos e a natureza.

Ecopedagogia é um termo que "nasce" durante o Fórum Global de 92 e vem sofrendo modificações a medida que se depara com a amplitude dos problemas ambientais.
Ao falar sobre a educação o autor vê nela um ato de amor, a educação sustentável, porém, vai mais além, busca uma relação saudável com o meio ambiente e a reflexão sobre o que devemos fazer para preservar nossa existência.

Em um terceiro momento o autor disserta sobre os fenômenos do processo de globalização, e a partir deste, resgata os conceitos de cidadania, consciência e civilização planetária. O debate destes pontos é construído em torno da Carta da Terra, movimento este que é utilizado como base para todo artigo, pois ressalta a importância da criação de uma pedagogia contextualizada com o mundo moderno, já que nele está a origem de todos os problemas.

A cidadania planetária é fundamentada num fato simples que é o de afirmar: "Se sou cidadão do mundo, não podem existir para mim fronteiras" (p.23). O autor reforça a ideia da pedagogia de sustentabilidade afirmando que ela proporciona uma revisão de conceitos para uma possível inserção do indivíduo na sociedade global.

De acordo com Gadotti existe uma grande diferença entre ser "um cidadão da Terra" e ser "um capitalista da Terra." Esse fato é claro em nossa sociedade, muitas das empresas sustentam seu caráter global e capitalista, afirmando possuir políticas ambientais como rótulos. A política atual é imatura no que diz respeito a consequência de suas ações, mas letrado no sentido de destruir tudo que vai contra seus interesses. A cidadania planetária é um projeto humano que deve se tornar projeto da humanidade.

Na quarta parte, o autor aponta uma característica tão fiel a nossa sociedade quanto esmagadora: há o avanço tecnológico, mas também a imaturidade política.

As nossas explicações do mundo estão se tornando incontextuais, para ele a ecopedagogia não só é intensamente democrática como planetária, servindo de pressuposto para uma reformulação da teoria educacional.
Abordando o movimento ecopedagógico retoma mais uma ideia ao Primeiro Encontro Internacional da Carta da Terra, ressaltando que este movimento descarta as ideias antropocêntricas, vê a Terra como organismo vivo, proporciona uma reflexão crítica e a cultura da sustentabilidade, além de mostrar que esse movimento e liderado pelo Instituto Paulo Freire, educador que tanto acredita na educação e no amor.

Reforça que o movimento político e pedagógico atual é desumano e injusto e que a Carta da Terra deve se tornar um código de ética planetário. É de suma importância que a Carta da Terra como movimento impulsionador e gerador de mudança não deixe que o atual sistema o confunda ou o oculte, se tornando só mais um movimento ambientalista.

Na quinta parte a Terra é vista como um paradigma. Paradigma é o mesmo que modelo e padrão. Neste momento Moacir com uma percepção genuína da alma humana mostra nossa incapacidade de enxergar "além do que vemos.".

Coloca a "hipótese Gaia," concebendo a Terra como um complexo organismo vivo. Muitos não consideram a Terra como viva, acredito que é pelo fato de não aceitar as consequências de suas ações sobre ela.

Aborda a importância da razão, enquanto precursora de várias descobertas e condena o racionalismo, que com sua lógica nos trouxe a Era do exterminismo em nome do progresso.

Finaliza com uma posição realista, mas que não descarta a possibilidade de mudanças. O nascimento do cidadão planetário é um evento singular e que está ainda engatinhando.

Desde já devemos não procurar aceitar os velhos paradigmas, mas procurar vivenciar um novo: "a Terra é uma única comunidade." Se não ponderarmos nossas ações elas mesmas poderão nos extinguir.

A leitura de Moacir Gadotti desperta nossas certezas, levanta posições, questiona as transformações que envolvem toda relação com a Terra em que vivemos.

É importante, pois com o estudo apresentado temos um auxílio que possibilita a reflexão sobre nossas atitudes e paradigmas.

Apesar de ás vezes usar conceitos um pouco complexos a leitura deste artigo deveria ser obrigatória a todo ser humano, explicado a cada criança, revelando a nossa condição atual de existência e possível sobrevivência. Ao estudante de administração é indispensável, uma vez que a ação deste profissional tem grande impacto sobre a sociedade.

O autor é demasiadamente sólido e coerente e consegue ser original e repetitivo, não no sentido de ser cansativo, mas no sentido de compreender e entender várias vezes a fim de se chegar a uma nova concepção da razão de nossa existência.

Crime

Por Laíra Carolina Arvelos

O que é o crime? O dicionário diz que é uma transgressão da lei, mas crime pra mim é criança sem pai, vida sem alegria, causa sem justiça, não poder amar, não ter amigos, não poder falar ouvir ver ou sentir, solidão, saudade, não ter opção, não conseguir vencer, não dizer o que tem que ser dito, dizer o que não se deve, sentir vergonha, não conseguir imaginar, correr, dançar, ouvir uma boa música, não conseguir acreditar em algo, não ter alguém em que confiar não conseguir aprender, não saber dizer não ou ouvi-lo, nunca dizer sim ou esperá-lo, sofrer devagar, não aproveitar as derrotas, viver sem ter usufruído e compartilhado de tudo que essa nossa passagem pode proporcionar a nós e a todos que passaram aqui junto a gente.

Se hoje fosse o último dia de sua vida quantos crimes teria cometido, qual seria sua sentença? Acredito que a maior pena é a pena de si mesmo, ah! Como dói não conseguir, o remorso é o pior dos sentimentos, ele se alastra, é contínuo, enraizado, destrutivo... Quero poder dizer sempre em minha defesa, que fiz o bem, dizer que vivi... Vivi a vida, vivi muitas vidas, que caí, mas levantei, que chorei, mas sorri, que perdi mas sonhei, que desisti mas reconquistei , que cometi crimes... Mas pagarei todas minhas dívidas comigo e com minha própria vida.

A vida é única, efêmera e perfeita, se eu pudesse vivê-la novamente, viveria exatamente cada momento, o maior erro do ser humano é pensar que faria diferente, tudo, todos os fatos da vida fazem parte de uma cadeia de eventos que nos faz importantes nos erros e acertos, nada é por acaso, somos partes importantes de um grande quebra- cabeça, e quanto mais rápido nos conformarmos com a finidade da vida maior será nossa percepção, aproveitamento e legado.

Não quero aqui discordar de Deus ou de uma possível vida além da vida, só quero defender que se eu e você estamos aqui, há um motivo, há um propósito, há uma importância... Que se existe outra vida, ela só nos será apresentada se tivermos dada a essa a devida importância.

Quero acreditar que sou luz, que posso ser única para alguém e ter alguém único pra mim, quero acreditar que posso ir além, que posso fazer, construir, conquistar. Que vivi certo, que fiz o errado e não tive medo.

Então corra, não tenha medo de usar a borracha, rabisque um pouco, nossos melhores momentos na escola foram rabiscados em papeizinhos recortados para os amigos, o maior covarde é o que não tenta. Não são só frases prontas, a vida é deliciosamente piegas, mas cabe a nós transformá-la em um intrigante e divertido passeio.

Não leve a vida tão a sério. Curta. Para que seus problemas não se tornem uma longa jornada de arrependimento.

Sorria e a vida sorrirá para você. Seja feliz. Para que seus problemas não se tornem um sufocante rio de lágrimas.

Cometa crimes.

Só se arrependa de nunca ter tentado.

Concerte.

Nunca é tarde para se aprender.

Viva.

A vida é uma deliciosa batalha.